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 The Danger Lives Next Door

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MensagemAssunto: The Danger Lives Next Door   Sab Abr 26, 2008 6:09 pm



Já faz dezessete anos... Mas não é tempo suficiente para esquecer. Eu nem sequer gosto de falar sobre isso. Dá-me medo, medo de lembrar que eu passei por tudo aquilo. Hoje, pela manhã, alguns policiais bateram na minha porta, para me avisar de que meu pai havia fugido, e que eles estariam ali para vigiarem a casa, no caso de ele aparecer por lá. Foi a partir daí que toda a história voltou a minha cabeça rapidamente. Tudo começou em novembro de 1991...
Meus pais e eu estávamos nos mudando para o vilarejo de Flowerhood, uma cidadezinha que crescera ao redor de uma colina, que se tornara cartão-postal da pequena cidade, que vivia do comércio de flores, principalmente orquídeas. Nossa mudança se devia à nova pesquisa que estavam fazendo com orquídeas, pesquisa da qual meu pai participaria, talvez para criar uma nova espécie em laboratório, eu nunca
soube exatamente o que era. A casa em que íamos morar era bem grande, de estilo gótico, escura e afastada da cidade, mas ainda assim era confortável e espaçosa, mesmo com nossos vários móveis. Ao lado da nossa casa, a algumas centenas de metros, havia outra casa, incrivelmente mais sombria e com uma atmosfera que de longe nos arrepiava. Durante todo o dia eu e minha mãe arrumamos a mobília.
Duas horas depois nós fomos jantar. Meus pais estavam se aprontando para uma festa que dariam em
Flowerhood, para recepcionar os cientistas que estavam chegando para as pesquisas. Eu ignorei a festa e resolvi ficar em casa. Além de mim, ficariam o jardineiro e as três empregadas (copeira, cozinheira e faxineira),
que se acomodavam numa casinha separada, logo após o imenso jardim. Meus pais logo saíram. Uma chuva começou a cair lentamente até principiar uma tempestade. Bob, o cachorro da família, latia lá fora. Ao longe, vi as luzes da casinha dos funcionários acesas, indicando que ainda estavam acordados. Por volta das onze
da noite, eu já estava dormindo pelos cantos de tanto cansaço, então resolvi subir ao meu quarto. A tempestade cessara, o clima estava frio e agradável. Deitei-me na cama e ouvi um grito distante, vindo da casa vizinha. Levantei assustada e olhei pela janela. Havia um tumulto dentro da casa, isso era perceptível, mas, pelo lado de fora, parecia tudo bem. A campainha tocou lá embaixo. Desci correndo e espiei pela janela ao lado. Era uma das empregadas, para saber se eu havia me assustado. Abri a porta prontamente, esperando um esclarecimento sobre aquele alvoroço.

- Não ligue, jovem. Isso acontece desde muito tempo. Acho que é hereditário esse interesse em... – ela
fez uma pausa – Em coisas fora do normal.
- Do que está falando? – eu me interessei.
- Há quem diga que eles fazem rituais todas as noites... Rituais horríveis. Nós percebemos pelos gritos
e barulhos que vêm de lá.
- Hm... Interessante! – eu assenti.
- Eles também são três, como a sua família. O casal é o grande responsável por tudo, dizem que a mulher
é bruxa e o pai é quem invoca as forças – ela deu destaque a essa última palavra – E a filha, mais ou menos da sua idade, ficou louca de tanto ser atormentada.
- Credo! – eu exclamei – Eles não são perigosos?
- Não enquanto você não importuná-los. Por isso, tome cuidado e repasse isso a seus pais: é importante
que nunca caiam na tentação de reclamar nada deles. Não gosto de tocar no assunto, mas meu penúltimo patrão sumiu após a tolice de bater na porta deles. Claro, “sumiu” é apenas modo de falar, pois é bem óbvio que foi morto pelos Thieves.
- Thieves? São eles?
- Não sabemos o real sobrenome deles, mas esse nome se deve à inscrição que há numa placa na entrada
da casa: “Thieves of Souls”.
- Que horror... – eu disse – “Ladrões de Almas”.
- Quer que eu lhe faça companhia? – a empregada ofereceu-se.
- Não. Como você mesma disse, não há perigo até que eu os perturbe, e isso, eu garanto, não vai acontecer.

Ela retirou-se, eu continuei na sala. Mesmo mais tranqüila, não iria conseguir dormir em meio àqueles gritos. Fiquei imaginando como seria a vida da pobre menina, filha deles. Nesse instante, enquanto pensava, pude ver Bob correndo no meio das árvores, ao longe, ele, com certeza, de soltara da corrente. Corri até lá, tentei alcançar Bob antes que ele saísse dos limites do nosso terreno. Uma inútil tentativa, eu diria. Ele estava atraído por algo que, infelizmente, vinha da casa dos Thieves. Ao me aproximar do jardim deles, eu finalmente
consegui segurar Bob pela coleira e nós dois ficamos escondidos no meio das árvores. Um cheiro de carne crua percorria o jardim, daí a grande inquietação de Bob. Nas janelas da casa, um denso tecido preto impedia qualquer visão interna, mas logo eu vi que alguém saía nos fundos da casa. Era o suposto pai da família, que começou a cavar um buraco com uma pá. Logo veio a mãe, trazendo um grosso saco nas mãos. Ela desatou o nó que amarrava o saco. De dentro, braços, pernas e cabeças eram removidos um a um, e depois jogados no buraco. Segurei a boca de Bob fortemente, para que ele não esboçasse nenhum latido ou grunhido.
Não consegui voltar, estava sem movimento nas pernas. Senti as garras de Bob cravando no meu braço, quase gritei, mas tive que agüentar e continuar segurando seu focinho. Minutos depois, o casal entrou na casa, e eu pude sentir minhas pernas novamente. Passei a segurar Bob pela coleira, mas ele estava tão bravo
comigo que tentou me morder, e eu acabei soltando-o. Que droga! Ele correu até o quintal dos Thieves e começou a cavar o maldito buraco. Eu não me atrevi a segui-lo, seria o fim pra ele e para mim caso eu fosse. Um barulho de motor se fez ouvir ao longe: eram meus pais de volta à casa. Olhei por entre os arbustos
e pude ver um tumulto em frente a minha casa, provavelmente porque alguém notara minha falta. Eu tinha que voltar antes que meus pais viessem até os Thieves. Resolvi dar uma última olhada em Bob. Foi difícil para mim ter que ver aquilo, ver que o dono da casa o alcançara. Aquele maldito o enforcou com as mãos! Eu não consegui voltar, parei ali mesmo e comecei a chorar em silêncio. O homem olhou ao redor, e, novamente, entrou na casa.

- Lindsay! Onde você está? – a voz da minha mãe rompeu o silêncio.
- Mãe! Volte! – eu sussurrei. O barulho dos passos nos galhos secos se seguiu de um estrondo na casa dos Thieves. O homem saiu com uma foice nas mãos, e tinha um olhar furiosoao olhar entre as árvores.

Ele começou a seguir o barulho dos passos, mas minha mãe, que corria comigo, tropeçou em um dos galhos
no chão. Ela pediu para que eu continuasse correndo, e eu vi que o homem se aproximava. Meu medo falou mais alto e eu corri de volta à minha casa. Ainda pude ouvir um último grito em meio às árvores: era mais uma alma roubado, a alma de minha mãe. Cheguei a casa. Meu pai e eu nos abraçamos, a essa altura ele já imaginava o que acontecera. Resolvemos sair e comunicar tudo à polícia, antes que os Thieves pudessem alcançar nossa casa para terminar o serviço. Pegamos o carro e seguimos pela estrada suja e escura. Uma figura parou no meio da pista. Papai tentou dar a ré, mas o homem da maldita casa se preparava para
quebrar o vidro traseiro do carro. Cantando pneus, o carro acelerou e atropelamos a figura da frente, a mulher da família,que voou por cima do carro, caindo aos pés de seu marido. Continuamos o trajeto, chegamos
à delegacia e contamos tudo.

- Não há o que fazer - disse o xerife - Dez de nossos melhores policiais ficaram loucos após passarem pelas redondezas da casa.
- E o que espera que nós façamos? - perguntou meu pai.
- Fujam antes que eles envolvam o nome de vocês em algum de seus rituais! Ninguém pode com as forças que agem naquela casa!

Ficamos sem rumo. Voltar seria o fim. E mamãe? Ainda poderia estar viva? Isso me apertava o peito. Refizemos o caminho de volta para casa. Alguém teria de derrotar aquele homem. Não podíamos aceitar que mais famílias passassem por aquilo. O corpo da mulher continuava na estrada, mas nem sinal do marido. Chegamos a casa, os empregados já haviam se retirado. Entramos e ficamos na sala esperando. Ele estava na casa, pois a vidraça da porta que dava para o jardim estava quebrada. Ele surgiu, vindo da cozinha. Ele e meu pai começaram uma luta corporal violenta pela sala. Eu tentei acudir, peguei um dos espetos de ferro usados para aquecer a lareira e o encravei nas costas do homem, que, após se debater e tentar retirar o espeto, acabou desfalecendo, morrendo em seguida.
Após esse dia, a polícia finalmente pôde cumprir seu trabalho: entrar na casa e apreender todos os objetos usados nos rituais, bem como recuperar os corpos enterrados. A filha do casal foi levada a um sanatório, mas logo ficou boa, apenas precisou sair daquele ambiente para mudar seus ânimos. Meu pai, após aquela noite, passou a ter constantes alucinações e acabou como poucos esperavam: louco. Hoje, em pleno aniversário de morte de mamãe, ele fugiu do sanatório. Agora há pouco fui visitar o túmulo de minha mãe e tive uma agradável surpresa: a filha dos Malton (esse era o verdadeiro sobrenome deles) estava também a visitar a cova dos pais. Após tudo aquilo, quem sabe, finalmente vou conseguir conviver com as perdas e, num futuro não muito distante, me tornar amiga da herdeira de todas aquelas almas roubadas...

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